mais cego é quem não quer ver…

(PT) Notícia Agência Lusa

Ruas têm mais carros que lugares e parques estão quase vazios

O presidente da Câmara, Élio Maia, já veio explicar porquê: é que alguns terrenos particulares estão a servir de parque gratuito, mas quando os proprietários decidirem construir, deixa de haver lugar para tanto carro.
A oportunidade de construir novos parques subterrâneos no centro citadino, como contrapartida para a renovação da rede escolar por um consórcio privado, alimenta a polémica entre a maioria PSD/CDS e a oposição, mas é consensual que os hábitos dos automobilistas têm de mudar.De acordo com o diagnóstico feito pela equipa de Arminda Soares, Paulo Cardadeiro e Ana Loureiro, para o Plano de Mobilidade da Cidade de Aveiro, em 10 anos duplicou o número de automóveis que diariamente entram em Aveiro, o transporte colectivo perdeu passageiros, e os parques periféricos, mesmo gratuitos, têm uma procura reduzida.
A população aumentou cerca de 10 por cento, entre 1991 e 2001 e, quanto à repartição por modo de transportes, é assinalado no diagnóstico um claro declínio da utilização do transporte público, quer rodoviário, com uma quebra superior a cinco por cento, quer ferroviário, na ordem dos dois por cento.
Já o automóvel ligeiro teve um incremento substancial, para mais do dobro, tanto em viatura própria, saltando dos 25 por cento de 1991 para 50 por cento em 2001, como nos passageiros de viatura conduzida por outrem, que também quase duplicaram.
De assinalar é também a quebra, na mesma proporção, da circulação a pé, de bicicleta, ou de motorizada, no mesmo período.
No que respeita ao estacionamento, verifica-se que nas várias zonas da cidade, o estacionamento na via pública apenas tem capacidade para os residentes, já que a maior parte das famílias hoje tem mais do que um carro.
O resultado, é que o estacionamento ilegal chega, nalguns casos, a ser equivalente aos lugares destinados a estacionar. Em termos globais, a taxa de ocupação diurna apresenta por isso um valor de 115 por cento, enquanto a ocupação nocturna é de 63 por cento, para uma oferta que ronda os nove mil lugares.
Exercício curioso é a comparação da ocupação dos parques subterrâneos explorados por empresas privadas, que no total não ultrapassam os 27 por cento, com as taxas de ocupação das respectivas zonas.
Assim, no Fórum, só 28 por cento da capacidade do parque é aproveitada, enquanto a ocupação da via pública chega aos 179 por cento, o mesmo se passando na zona do Mercado Manuel Firmino em termos de ocupação da via pública, mas desta feita para uma ocupação do estacionamento subterrâneo ao Mercado de apenas 18 por cento, e também na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, onde o Parque Ana Vieira regista 29 por cento de ocupação.
Na mesma escala está a zona da Praça Marquês de Pombal, com uma ocupação da via pública de 176 por cento, para apenas 26 por cento dos 475 lugares do parque subterrâneo ocupados.
O parque mais bem sucedido é o do Edifício Corticeiro, na Rua Conselheiro Magalhães, ocupado em 88 por cento, o que não impede que a zona esteja saturada, já que o estacionamento na via pública supera a oferta de lugares(164 por cento).
É também nesta rua que os parquímetros mais facturam, com uma taxa de ocupação dos lugares de 99 por cento, acima da média na cidade que se situa nos 82 por cento, para uma oferta total de 950 lugares pagos, cuja exploração cabe à empresa municipal MoveAveiro.
Nos restantes dois parques, Von Haff e Universidade, as taxas de ocupação situam-se nos 58 por cento e nos 20 por cento, respectivamente, para valores na zona de 170 por cento e 105 por cento.
Os cinco parques de estacionamento gratuitos, todos à superfície, têm uma ocupação de 94 por cento da capacidade no seu conjunto, mas há grandes disparidades entre eles.
Alguns dos parques, como o do Hospital, com capacidade para 252 lugares, recebe um excesso de automóveis(126 por cento), o mesmo sucedendo com o parque da Estação(329 lugares para 119 por cento) e com o parque do Senhor dos Aflitos, nas traseiras do Oita, que comporta 410 lugares e é ocupado em 119 por cento.
Os dois parques gratuitos menos concorridos situam-se em zonas de forte ocupação automóvel, o Rossio e a Forca Vouga, mas têm em comum o facto de obrigarem os automobilistas a atravessarem a pé pontes sobre ribeiras e canais e de estarem localizados em zonas sem construção, o que poderá ser visto como mais vulneráveis em termos de segurança.
O parque Polis(S. João) junto ao Rossio, apenas é ocupado em 31 por cento dos seus 270 lugares, e, sintomático do comportamento dos automobilistas, o parque do Pavilhão dos Galitos, apenas tem uma ocupação de cinco por cento para 100 lugares.
Este parque, fronteiro à Loja do Cidadão e ao bairro da Forca Vouga, onde se concentram vários serviços, apesar de se situar a escassos metros, está sempre vazio, e as pessoas preferem pagar a moeda aos arrumadores para terem o carro à vista, do que atravessar a ponte pedonal e ir parquear sem qualquer custo.

(Agência Lusa 5/5/2008)

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